Mostrando postagens com marcador filme. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filme. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Festival Sesc de Melhores Filmes

sesc_35_2009



Acontece nesse mês de abril, do dia 9 ao dia 30, no Cinesesc de São Paulo, o Festival Sesc de Melhores de Filmes eleitos pelo público e por críticos de cinema.

Também haverá uma exposição do artista visual Mike Mike: Tela e Platéia - 35 anos de melhores. O projeto de Mike Mike, intitulado "Face of Tomorrow" (A Cara do Amanhã), homenageia o público freqüentador do CineSESC ao captar uma centena de imagens de pessoas e fundi-las.


São 54 títulos e uma boa oportunidade de ver ou de rever alguns filmes que passaram pelas salas de cinema em 2008.


Entre opções conhecidas e títulos que passaram batido pelas salas de cinema, vale a pena. O único problema fica por conta do ingresso que subiu de R$ 4,00 para R$ 8,00 (estudantes, professores e idosos pagam meia).O pessoal do Cinesesc percebeu que os festivais vêm se tornando uma boa oportunidade de lucrar . Malditos... ¬¬’


Abaixo segue a programação (em negrito estão os filmes que conferi no ano passado).


35ª Festival SESC Melhores Filmes


Cinesesc


Rua Augusta, 2075, Cerqueira César


0/xx/3087-0500


De 9 a 30 de abril


Ingressos: R$ 4 a R$ 8


Passaporte 15 filmes: R$ 20 a R$ 80



Programação Completa:



9/4, quinta-feira


14h30 - Personal Che


17h – Um Beijo Roubado


19h - Era uma Vez


21h30 - Vicky, Cristina Barcelona



10/5, sexta-feira


14h30 - Quando Estou Amando


17h - Juno


19h - O Segredo do Grão


21h30 - Encarnação do Demônio



11/4, sábado


14h30 - O Garoto Cósmico


17h - Persépolis


19h - Batman - O Cavaleiro das Trevas


21h30 - Linha de Passe



12/4, domingo


14h30 - Wall-E


17h - Paranoid Park


19h - Nome Próprio


21h30 - Onde os Fracos Não Têm Vez



13/4, segunda-feira


14h30 - O Caçador de Pipas


17h - Senhores do Crime


19h - Meu Nome Não é Johnny


21h30 - Não Estou lá



14/4, terça-feira


14h30 - Falsa Loura


17h - Vicky Cristina Barcelona


19h - Luz Silenciosa


21h30 - Um Conto de Natal



15/4, quarta-feira


14h30 - Sicko


17h - Longe Dela


19h - Meu Nome não é Johnny


21h30 - Onde os Fracos Não Têm Vez



16/4, quinta-feira


14h30 - Linha de Passe


17h - Falsa Loura


19h - Não Estou Lá


21h30 - 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias



17/4, sexta-feira


14h30 - O Escafandro e a Borboleta


17h - Cana Quente


19h - Os Desafinados


21h30 - Ensaio sobre a cegueira



18/4, sábado


14h30 - Chega de Saudade


17h - Pecados Inocentes


19h - A Questão Humana


21h30 - Encarnação do Demônio



19/4, domingo


14h30 - Batman - O Cavaleiro das Trevas


17h - Senhores do Crime


19h - Linha de Passe


21h30 - Não Estou Lá



20/4, segunda-feira


14h30 - Serras da Desordem


17h - Vicky Cristina Barcelona


19h - Gomorra


21h30 - Leonera



21/4, terça-feira


14h30 - O Escafandro e a Borboleta


17h - Feliz Natal


19h - 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias


21h30 - Última Parada 174



22/4, quarta-feira


14h30 - A Questão Humana


17h - Mistério do Samba


19h - Uma Garota Dividida em Dois


21h30 - Na Natureza Selvagem



23/4, quinta-feira


14h30 - Bezerra de Menezes


17h - Pan-Cinema Permanente


19h - Batman - O Cavaleiro das Trevas


21h30 - Juno



24/4, sexta-feira


14h30 - Pecados Inocentes


17h - O Signo da Cidade


19h - Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco


21h30 – Crepúsculo (??!!)



25/4, sábado


14h30 - Leonera


17h - Persepólis


19h - A Questão Humana


21h30 - Estômago



26/4, domingo


14h30 - Wall-E


17h - Uma Garota Dividida em Dois


19h - Feliz Natal


21h30 - Short Bus



27/4, segunda-feira


14h30 - Mistério do Samba


17h - Vingança


19h - Ensaio Cegueira


21h30 - Signo da Cidade



28/4, terça-feira


14h30 - Silêncio de Lorna


17h - Personal Che


19h - Cleópatra


21h30 - Short Bus



29/4, quarta-feira


14h30 - Cana Quente


17h - Senhores do Crime


19h - Serras da Desordem


21h30 - Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco



30/4, quinta-feira


14h30 - Crepúsculo


17h - Feliz Natal


19h - Paranoid Park


21h30 - Última Parada 174



http://www.sescsp.org.br/sesc/hotsites/melhores_filmes/index.cfm?edicao=2009



hs_leonera2007_persepolis_011shortbus_big1182119961chegadesaudade1feliz_natal_cenabatman_the_dark_knight_f_024

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Lutador


img_the_westler_poster_gde


Uma das palavras que parecem vir à mente quando se lê a sinopse do filme O Lutador é a palavra redenção. Homem que já teve seus dias de glória no passado e agora caminha no esquecimento recebe uma segunda chance de reparar alguns erros e voltar ao topo. Seria uma típica história de reparação, não fosse um importante fato: a tal redenção chega sim afinal, mas para o diretor Darren Aronofsky e com ainda mais força para seu ator protagonista, Mickey Rourke. E a segunda chance do lutador do título, bem, apesar das aparências, não há segundas chances aqui.


Randy “The Ram” Robinson (Mickey Rourke) teve seu auge como lutador de wrestling (luta - livre por aqui) na década de 80, e foi caindo no esquecimento durante as décadas seguintes. Vive agora da fama do passado, respeitado por todos os companheiros e sendo aclamado nos pequenos ginásios ou ringues improvisados onde ainda consegue “atuar”. Após uma luta, Randy tem um enfarte, e é aconselhado a não lutar mais, pois seu coração, após anos de bebidas, lutas, uso de anabolizantes e tudo o mais que o instinto autodestrutivo do personagem pudesse suportar, está agora fraco demais e não se sabe até que ponto pode agüentar. Aparece aqui a oportunidade para que ele refaça sua vida, se aproximando da filha Stephanie (Evan Rachel Wood) que negligenciou durante anos, da stripper Cassidy (Marisa Tomei) e que se estabeleça em seu emprego “normal” no setor de frios e açougue de um supermercado. Mas estamos na época da comemoração de vinte anos da luta entre The Ram e o “Aiatolá”, ponto máximo de sua carreira, e um festival será organizado para oferecer a revanche. Randy vê aqui a oportunidade de resgatar os anos gloriosos.


A premissa é simples e, aparentemente, até clichê, mas ao se assistir ao filme, percebe-se estar diante de uma obra de qualidade única no cinema, a começar pelo seu personagem. Randy não está em busca de redenção, quer apenas fazer o que gosta, a única coisa que o faz se sentir vivo, mas quando o médico o aconselha a não lutar mais, ele é obrigado a olhar para a força do tempo que passa, para o próprio caminho que trilhou e para a vida que levou nos últimos vinte anos. Perceber que o personagem, ao longo do filme, vai tomando consciência de que o tipo de vida que leva e seus valores pertencem à outra época é tocante, pois Randy ama de verdade o “seu tempo”, mas é obrigado a caminhar por aí como uma relíquia, como espólio de algo que já passou. Se hoje em dia ele simplesmente vaga por aí, não há forma melhor de mostrar isso do que com a câmera na mão. Ela o segue por todos os lados, permitindo que ele escolha o caminho, o que reforça o sentimento de deslocamento, uma vez que são longos os corredores pelos quais ele costuma passar.


O contraste de O Lutador com os outros filmes da carreira de Darren Aronofsky é assustador. Se ele apostava numa linguagem extremamente fragmentada e psicológica em Pi e Réquiem Para Um Sonho, ou pela fantasia estética- visual e introspecção em Fonte da Vida, aqui o clima é mais seco, as cores, com exceção dos “colantes” dos lutadores e do sangue, são frias, tudo é excessivamente duro, tudo excessivamente pesado, como a carga que Randy carrega. Mas é ainda mais impressionante encontrar nesse cenário áspero, espaços para o simbolismo. Quando se pensa que a aposta seria em mais uma obra calcada no que parece ser lei hoje em dia, o realismo, há a cena do corredor onde The Ram veste seu “uniforme” de trabalho, atravessa os corredores escuros, se alonga fisicamente, o grito do público cresce numa constante, ele hesita por alguns instantes e... tudo se silencia, pois ao invés do ringue, temos o balcão do supermercado. Doído demais. Em 2006, Aronosky saiu injustamente sobre um mar de vaias por Fonte da Vida. Críticos de todo o mundo acusaram o jovem diretor de perder a mão (isso apenas em seu terceiro filme), que ele era pretensioso e que nunca mais faria nada na relevância de Réquiem... e Pi. Saiu em 2008 com o Leão de Ouro em Veneza e, só não foi indicado à melhor diretor e melhor filme em outras categorias porque as organizações não cessam de fazer injustiças a torto e a direito (Christopher Nolan que o diga).


Não por acaso, após Veneza, a divulgação de O Lutador se focou na interpretação de Mickey Rourke. Numa escalada freqüente de bons papéis na década de 80, trabalhando com bons diretores e sendo correto em suas atuações, o ex-galã entrou na década seguinte fazendo uma série de escolhas erradas. Abandonou a carreira no cinema para se dedicar ao boxe, fez muitas plásticas, envolveu-se em escândalos dos mais diversos e, quando tentou retornar ao ofício de ator, fez algumas escolhas equivocadas. Mas nos últimos anos, começou a ser relembrado por alguns diretores e, se o Marv de Sin City lhe rendeu certa atenção, é apenas com o filme de Aronofsky que ele retorna definitivamente a atuação, no desempenho de sua vida. Até poderia se valer da máxima de que a vida se confunde com a ficção em O Lutador, porém, Randy não é Rourke, mas Rourke sabe que poderia ser Randy. É preciso coragem para olhar para a própria vida e rever as decisões erradas que se tomou. Em seus discursos de agradecimento pelos prêmios que vêm colhendo pela sua atuação no filme, Rourke não deixa de lado o passado e reafirma que está buscando seu caminho novamente, assumindo problemas das decisões que tomou na última década. 90´s sucks! diz Randy, 90´s sucks! deve pensar Mickey Rourke. Sua entrega física ao personagem The Ram é tão impressionante quanto os limites físicos que podem chegar os lutadores de wrestling para entreter o seu público (como cortar a si mesmo). E seu olhar diz tanto quanto suas palavras, que não são menos fortes. “Sou apenas um pedaço moído de carne, e mereço ficar sozinho. Só não quero que você me odeie” diz ele a sua filha Stephanie. Ou quando ele conta sofre seu enfarte para a personagem de Marisa Tomei (linda e perfeita no papel) e ela apenas diz que vai ficar tudo bem, mas que ela tem que voltar ao trabalho. Quanto ao olhar, difícil não se comover com o terror nos olhos de Randy ao constatar, numa espécie de convenção da velha guarda da luta - livre, que seus companheiros estão todos velhos, decadentes, sozinhos, com a saúde comprometida, quase como se encarasse um espelho colocado forçadamente a sua frente.


O ritmo do filme varia entre o intenso e o pacato, mas há algo ali que conduz o espectador o tempo todo, sem que se saiba ao certo o que é isso. O brilhantismo da fita de Darren Aronofsky e Mickey Rourke espera até os seus últimos minutos para se revelar. E é num momento catártico onde, enquanto Randy se agiganta, somos colocados finalmente à distância, apenas para assistir ao momento e permitir que o personagem viva aquela emoção sozinho, que tudo o que foi mostrado até aquele momento se torna inesquecível. Não me lembro de um final tão coerente e que dê tanto sentido a tudo o que foi construído até então. É o momento de redenção do diretor, que não devia nada a seus críticos, mas deve ter tido sua auto-estima tão abalada que precisava provar algo a si mesmo. É o momento de redenção do ator, que não só precisava provar algo a si mesmo, quanto desejava agradecer a todas as pessoas que um dia acreditaram nele, além daqueles que nunca o abandonaram.


Mas não é a redenção de Randy “The Ram” Robinson. Seu tempo já passou, ele já fez demais. Só o que importa agora é aquela sensação, aquele momento, aquilo que ele sabe fazer. O que vier depois não importa. Ele nos deixa comovidos com sua presença, nos dá força, e deixa para nós a última palavra, o último grito. Pois ele é apenas um lutador.


Fica na letra da linda canção de Bruce Springsteen o que reflete o que é, desde já, um dos melhores filmes do ano e, particularmente, um dos melhores filmes que o cinema já ofereceu.




Bruce Springsteen - The Wrestler


Two, three, four



Have you ever seen a one trick pony in the field so


happy and free?


If you've ever seen a one trick pony then you've seen


me


Have you ever seen a one-legged dog making his way


down the street?


If you've ever seen a one-legged dog then you've seen


me



Then you've seen me, I come and stand at every door


Then you've seen me, I always leave with less than I


had before


Then you've seen me, bet I can make you smile when the


blood, it hits the floor


Tell me, friend, can you ask for anything more?


Tell me can you ask for anything more?



Have you ever seen a scarecrow filled with nothing but


dust and wheat?


If you've ever seen that scarecrow then you've seen


me


Have you ever seen a one-armed man punching at nothing


but the breeze?


If you've ever seen a one-armed man then you've seen


me



Then you've seen me, I come and stand at every door


Then you've seen me, I always leave with less than I


had before


Then you've seen me, bet I can make you smile when the


blood, it hits the floor


Tell me, friend, can you ask for anything more?


Tell me can you ask for anything more?



These things that have comforted me, I drive away


This place that is my home I cannot stay


My only faith's in the broken bones and bruises I


display



Have you ever seen a one-legged man trying to dance


his way free?


If you've ever seen a one-legged man then you've seen



me

the-wrestler_01imagem-42the-wrestler_1239456cdddtx5thewrestlersite-440x472